A vida com esclerose Múltipla

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Doença autoimune não tem cura, mas rapidez no diagnóstico e tratamento correto garantem qualidade de vida.

Por razões na maioria dos casos desconhecidas, o sistema imunológico humano, encarregado de nos proteger de ameaças como vírus e bactérias, às vezes se volta contra o próprio corpo. São as chamadas doenças autoimunes. Uma das mais comuns, que acomete cerca de 2,3 milhões de pessoas em todo mundo, é a Esclerose Múltipla. Nessa doença, o alvo do ataque é o sistema nervoso central, formado por cérebro, cerebelo tronco encefálico e nervos ópticos. Anticorpos e células imunológicas destroem a mielina, substância que reveste uma parte dos neurônios para deixar os impulsos nervosos mais eficientes, causando inflamações. Os neurônios atacados podem se regenerar ou ter suas funções assumidas por outros. Porém, há um limite para essa regeneração. Por isso, é preciso atenção: quando não tratada, a EM pode causar sequelas graves – e irreversíveis.

Diferentemente do que se costuma pensar, na maioria das vezes a EM aparece pela primeira vez em pessoas com idades entre 20 e 40 anos, principalmente em mulheres. A forma mais agressiva dessa manifestação é a progressiva primária , em que os sintomas vão se agravando com o tempo. No entanto, a mais comum é a remitente recorrente, que ocorre em 85% dos casos. Lenta, com surtos que vêm e vão, essa forma pode levar anos até se fazer notar e o paciente ser diagnosticado. A doença é também ardilosa: seus sintomas podem se confundir com os de outras enfermidades, o que, em muitos casos, atrasa o diagnóstico. E é na demora da identificação da esclerose que mora o perigo: quando não tratada, a EM pode deixar sequelas que afetam, sem a possibilidade de reversão, habilidades tão banais quanto imprescindíveis, como caminhar, falar, enxergar ou levar uma xícara de café até a boca. “Quanto mais cedo o diagnóstico, menos sintomas a pessoa terá”, diz o neurologista Denis Bichuetti, professor da Unifesp e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia.

Estima-se que, no Brasil, 35 mil pessoas sejam portadoras da EM. Porém, somente cerca de 10 mil estão sendo tratadas. A boa notícia é que nos últimos anos os diagnósticos têm sido bem mais rápidos. Para se ter uma ideia, segundo um estudo da Unifesp, antes dos anos 90 uma pessoa poderia levar 13 anos para confirmar que tinha EM. Hoje, esse tempo pode ser até menor que um ano.