Eliminação de células auto reativas falham em pacientes com lúpus

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Eliminação de células auto reativas da medula óssea deve ser um elemento funcional de controle de autoimunidade. No entretanto esse sistema falha em pacientes com lúpus sistêmico aonde a presença de autoanticorpos formam complexos com partículas de ácidos nucleicos  extra celulares. Em alguns pacientes a cromatina é liberada dos neutrófilos formando material conhecido como NETosis ai servindo como auto antígeno e estimulando a resposta do linfócito B. De forma semelhante em pacientes com artrite reumatoide peptídeos associados a material extracelular  podem ser citrulinados e se tornarem antigênicos e desenvolvimento de anticorpos anti citrulina anti CCP.

Em trabalho que acaba de ser publicado foi possível demonstrar interação de NETs com certos anticorpos estimulando o fenômeno autoimune em pacientes com Lupus.

Gestermann N, Di Domizio J, Lande R, et al. Netting neutrophils activate autoreactive B cells in lupusJ Immunol. 2018 May 15;200(10):3364

Neutrófilos de Rede Ativam Células B Autorreativas no Lúpus

Os pacientes com lúpus eritematoso (LE) desenvolvem autoanticorpos que formam complexos imunes circulantes (ICs) com ácidos auto-nucleicos extracelulares. Esses CIs são depositados nos tecidos periféricos, onde desencadeiam a inflamação dos órgãos prejudiciais. Evidências recentes sugerem que ICs contêm complexos LL37-DNA derivados de armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs) e que pacientes LE desenvolvem autoanticorpos patogênicos contra essas estruturas, incluindo Abs a LL37. No entanto, o mecanismo que leva à geração desses Abs é desconhecido. Neste estudo, mostramos que os NETs ativam diretamente a produção de Ab pelas células B de memória humana. Isso ocorre por meio dos complexos LL37-DNA presentes nos NETs, ​​que têm a capacidade única de obter acesso aos compartimentos endossomais das células B e desencadear a ativação do TLR9. Em pacientes com LE Os complexos LL37-DNA derivados da NET desencadeiam a activação de células B policlonais através de TLR9, mas também expandem especificamente as células B de memória auto-reactiva produzindo Abs anti-LL37 de um modo dependente de Ag. Esses achados sugerem uma ligação única entre os neutrófilos e as células B, nas quais os NETs desencadeiam uma ativação combinada de TLR9 e BCR, levando à produção de autoanticorpos anti-NET no lúpus.